Tempo de leitura estimado – 4 minutos

A cidade de Ashford era como qualquer outra – quieta, despretensiosa, o tipo de lugar onde nada de extraordinário aconteceu. Estava situado entre colinas e florestas grossas, o tipo de cidade onde todos conheciam todos, e os segredos raramente permaneciam enterrados. Mas havia um lugar que ninguém falou acima de um sussurro. Uma casa que estava em Blackthorn Hill por mais de um século, apodrecendo e esquecida, mas de alguma forma sempre assistindo. Casa Blackthorn.

Foi abandonado por décadas, desde que a família Grayson desapareceu da noite para o dia, deixando o jantar sem comido e suas camas ainda quentes. Alguns disseram que foram assassinados, seus corpos escondidos dentro das paredes. Outros alegaram que haviam se afastado, desaparecendo na floresta, para nunca mais ser visto. Mas os filhos de Ashford disseram a sombrios contos – de uma casa que respirava, sussurrou e chamou para aqueles que ousaram passo muito perto.

Daniel Monroe nunca acreditou em histórias de fantasmas. Ele era um jornalista, um homem da razão. A superstição não ocupava lugar em sua vida, mas uma boa história. Quando ele ouviu os murmúrios da casa de Blackthorn, ele os descartou como fofocas de cidade pequena. Mas algo sobre a casa roçou para ele, uma coceira em sua mente que não iria embora. Talvez fosse a maneira como as pessoas da cidade evitaram falar disso, a maneira como seus olhos disparavam sempre que ele fazia muitas perguntas. Ou talvez fossem os sonhos – os sonhos estranhos e vívidos de uma casa que parecia saber seu nome.

Então, uma noite de outono, quando o sol sangrou no horizonte, ele se viu de pé diante da casa imponente, notebook na mão. As janelas eram como os olhos mortos, a porta da frente ligeiramente entreaberta como se estivesse esperando por ele. O sussurro estava mais alto agora, enrolando -se em torno de seus ouvidos, deslizando em seus pensamentos. Ele hesitou, mas apenas por um momento. Então, ele entrou.

O ar era espesso, sufocante. A poeira girou na luz dourada filtrando através das janelas rachadas. Os móveis, envoltos em lençóis brancos, apareciam como figuras fantasmagóricas. Ele clicou na lanterna, o feixe cortando a escuridão. O sussurro se transformou em palavras. Daniel … você voltou.

Sua respiração prendeu. Ele balançou a lanterna loucamente, mas a casa permaneceu imóvel. Seu batimento cardíaco bateu em seus ouvidos. Ninguém sabia que ele estava aqui. Ninguém – exceto o que estava dentro desta casa.

A escada gemeu quando ele subiu, os degraus de madeira caírem sob seu peso. Ele achou o quarto principal intocado – descascando o papel de parede, a cama bem feita. Mas o espelho da vaidade era diferente. Quando ele se aproximou, seu reflexo distorceu. Seus olhos escureceram, sua boca se curvou em um sorriso que ele não fez. Então a imagem falou, embora seus lábios nunca se moviam. Você estava aqui antes.

Um choque de terror frio o agarrou. Ele nunca tinha pisado nesta casa antes hoje à noite – ele? A voz sussurrante encheu a cabeça agora, não mais macia, mas urgente. Você sempre esteve aqui.

As paredes tremeram. Uma sombra se destacou do canto, reunindo -se em algo sólido. Daniel tropeçou de volta, sua lanterna piscando. Surgiu uma mulher-palal, com olhos ocos e uma boca de luta costurada. Seus dedos se contraíram, alcançando ele.

Memórias colidiram com ele como uma inundação. O desaparecimento dos Graysons. A cidade silenciosa. A verdade enterrada sob camadas de tempo esquecido. Ele já estava aqui antes. Ele morou aqui. Ele havia morrido aqui.

“Não”, ele sussurrou, recuando, mas a casa engoliu sua voz. O chão embaixo dele amoleceu como carne, as paredes pulsavam como um coração batendo. Ele se virou para correr, mas a porta se foi.

Um espelho estava em seu lugar, seu reflexo olhando para ele – apenas agora, sua boca estava costurada, seus olhos implorando por escapar. A casa o chamou para casa.

E isso nunca o deixaria sair.

A luz de sua lanterna girava, seu brilho desaparecendo quando a sala escureceu. As sombras se alongaram, esticando -se em sua direção como mãos famintas. Daniel empurrou as paredes, procurando uma rachadura, uma porta escondida – qualquer coisa para libertá -lo do pesadelo apertando seu aperto. Mas a casa não tinha intenção de deixá -lo ir.

Um vento frio varreu a sala, embora não houvesse janelas abertas. O sussurro ficou mais alto, fundindo -se em um canto estranho. Daniel … fique conosco … Daniel … você está em casa … as vozes se depararam com as outras, algumas familiares, outras irreconhecíveis, todas pressionando contra seu crânio como o peso das memórias perdidas. Então ele os viu.

Os números começaram a emergir dos cantos escuros da sala, translúcidos, mas distintos. A família Grayson. Seus olhos eram poços ocos de escuridão, seus rostos congelados em expressões de terror. A mãe agarrou uma criança no peito, os braços esqueléticos, a pele esticada. O pai ficou atrás dela, a boca se movendo sem som, lábios formando palavras que Daniel não podia ouvir. Algo frio tocou seu ombro.

Ele girou, martelando o coração, apenas para ficar cara a cara com seu reflexo-apenas não era mais ele. A figura no espelho não tinha olhos, sem boca, apenas um vazio sem fim, onde deveria estar um rosto. Ele levantou a mão, os dedos se curvando em um punho antes de bater contra o vidro. Rachadura.

O espelho lascado, fraturas se espalhando como veias pela superfície. A casa estremeceu, um profundo gemido reverberando através das paredes. Daniel caiu de joelhos quando o chão embaixo dele tremia, seus gritos engolidos pela crescente cacofonia das vozes. Você sempre esteve aqui.

O espelho quebrou. A escuridão o consumia.

Dias se transformaram em semanas. A cidade falou em tons silenciosos sobre a estranha nova lenda da casa de Blackthorn. Alguns alegaram que viram uma sombra se movendo atrás das janelas à noite. Outros juram que ouviram sussurros quando passaram.

Uma noite, um grupo de adolescentes se atreveu a entrar. Eles riram, passando por suas lanternas e chamando o vazio. Mas quando chegaram ao quarto principal, suas risadas morreram.

Um espelho ficou ali, intocado pela poeira, brilhando na luz fraca. E dentro de seu vidro, uma sombra apareceu. Ele levantou a mão, os dedos pressionando contra o vidro por dentro. Boca costurada fechada. Olhos implorando por fuga. Mas a casa nunca deixou ninguém sair.

Então, uma noite, uma vela brilhou para a vida na janela do quarto principal. Os sussurros começaram novamente, macios no começo, depois insistentes. Alguém estava chegando.

E a casa estava esperando.

Crédito: Alex Corneth

Declaração de direitos autorais: A menos que explicitamente declarado, todas as histórias publicadas no creepypasta.com são de propriedade de (e sob direitos autorais) de seus respectivos autores e não podem ser narrados ou realizados sob nenhuma circunstância.

k