Um estudo científico confirmou que as mudanças climáticas tiveram um papel crucial no clima quente e seco que levou aos incêndios devastadores em Los Angeles. Segundo a World Weather Attribution, referência global na análise de eventos extremos, essas condições climáticas se tornaram cerca de 35% mais prováveis devido ao aquecimento global.

De acordo com a rede televisiva inglesa BBC, os pesquisadores destacaram que a temporada de incêndios na região está se alongando, enquanto as chuvas que costumam conter o fogo estão diminuindo.

Embora múltiplos fatores influenciem esses incêndios, os cientistas afirmam com confiança que o aquecimento global está tornando Los Angeles mais vulnerável a episódios intensos de fogo.

“As mudanças climáticas aumentaram o risco dos devastadores incêndios florestais de Los Angeles”, disse a Dra. Clair Barnes, do Imperial College de Londres, principal autora do estudo.

“As condições de seca estão se prolongando com mais frequência até o inverno, aumentando a chance de um incêndio ocorrer durante os fortes ventos de Santa Ana, que podem transformar pequenas ignições em infernos mortais.”

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Os ventos de Santa Ana são ventos fortes e rajados de leste ou nordeste que sopram do interior da Califórnia em direção à costa. Cerca de 30 pessoas morreram e mais de 10.000 casas foram destruídas nos incêndios rápidos e devastadores que atingiram Los Angeles no início de janeiro.

Um novo estudo analisou as chamadas condições propensas a incêndios, que favorecem a ocorrência de queimadas perigosas. A pesquisa foi conduzida pela World Weather Attribution (WWA), grupo global que investiga como o aquecimento climático influencia eventos extremos como ondas de calor, secas, inundações e incêndios.

Desde a Revolução Industrial, a queima massiva de carvão, petróleo e gás lançou bilhões de toneladas de gases na atmosfera, elevando a temperatura global em cerca de 1,2 °C. Esse aquecimento funciona como um cobertor, intensificando desastres naturais.

Usando modelos climáticos e dados estatísticos, os pesquisadores demonstraram o impacto do aquecimento global em eventos extremos. No caso dos incêndios de Los Angeles, descobriram que as condições quentes e secas que os causaram ocorrem, em média, a cada 17 anos — um aumento de probabilidade de 35% em comparação a um mundo sem aquecimento.

“Os modelos mostram praticamente os mesmos resultados que as observações reais”, afirmou a Dra. Friederike Otto, chefe da WWA. “Estamos confiantes de que podemos atribuir esse fenômeno ao aquecimento global, também de forma quantitativa.”

Os cientistas também analisaram a duração da temporada de incêndios e descobriram que ela aumentou em cerca de 23 dias desde 1850, à medida que o mundo aquece. Isso significa que as condições secas e os ventos de Santa Ana, fundamentais para a propagação dos incêndios, estão coincidindo com mais frequência, agravando a crise.

Outro fator crucial é a seca. As condições na região de Los Angeles entre outubro e dezembro são agora 2,4 vezes mais prováveis do que antes do uso intensivo de combustíveis fósseis. Os pesquisadores confirmam que as mudanças climáticas aumentaram a probabilidade de temperaturas elevadas e tempo seco, fatores que favoreceram os incêndios.

No entanto, eles são mais cautelosos ao relacionar o aumento das temperaturas à duração da temporada de incêndios ou à redução das chuvas, pois os modelos não indicaram uma conexão clara. Ainda assim, a principal conclusão é que um mundo mais quente torna incêndios devastadores mais frequentes — e, com a queima contínua de combustíveis fósseis, essa tendência deve se agravar.

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