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Provavelmente já mencionei isso, mas você sabe, é aquela época do ano novamente. E, honestamente, só o encontrei duas vezes. Mas meu amigo Jon entendeu tudo – disse que falou com o chefe do cara e tudo mais.
Sim, o nome do garoto era Tom. Thomas Lowman, eu acho. Trabalhava para um daqueles tubarões imobiliários no centro da cidade, perto do rio. De qualquer forma, o chefe ligou para ele uma noite – tarde também – falando algumas bobagens sobre esse loft, não, sobre o apartamento que eles possuíam. Algo sobre uma rede elétrica – rede de água – algum tipo de “principal”.
De qualquer forma. Ele queria que Lowman fosse verificar se o local estava vazio antes que a manutenção chegasse pela manhã. Queria algumas fotos para ter certeza de que estava sendo cobrado corretamente. Sim. Esse tipo de cara.
Então, sim – Lowman aceita o trabalho. Só não era o tipo de pessoa que dizia não – mesmo às horas estúpidas.
É uma daquelas noites horríveis e úmidas de outubro também. Tipo onde você sente frio no segundo que sai de casa.
Ele dirigia esse velho Toyota Tracel. A coisa também era bege. Como eu disse, só o encontrei algumas vezes, mas me lembro do carro dele. Parecia um liquidificador cheio de parafusos. Sim, então ele está dirigindo essa coisa até a água, até o rio – era mais ou menos onde ficava esse lugar. O garoto fica resmungando sozinho o tempo todo. Sobre o bairro. Sobre seu chefe – tudo.
Ele vê o prédio, estaciona do outro lado da rua. Claro, é tarde, mas ele não vai conseguir uma multa – fica no extremo da cidade e, honestamente, a polícia provavelmente nem pisa lá. Certo, então ele desliga o motor. A coisa estremece e morre como se estivesse esperando por uma desculpa. É uma verdadeira lixeira rolante. E o prédio… bem, não é muito melhor. É um daqueles blocos de loft meio destruídos. Janelas quebradas, toneladas de pichações – realmente falavam do pescoço do lugar.
Então, ele vasculha o lixo no banco do passageiro, procura as chaves do prédio e, sim, sai noite adentro.
As ruas estão vazias. Até os ratos do bairro já estão em casa. Ele atravessa a calçada e sobe a varanda – lembra-se do que seu chefe lhe disse: levante a porta ao girar a chave.
Damp o atinge primeiro. O cheiro. Está frio – silencioso, como se o prédio estivesse prendendo a respiração há décadas. E há algo zumbindo em algum lugar também – baixo, constante – mas ele não consegue entender de onde vem.
Ele apalpa a parede interna, procurando os interruptores. Chega lá eventualmente. Com certeza, o lugar acende – algumas lâmpadas acendem e apagam, mas na maior parte, ele está bem.
Ele verifica sua mão. Ele anotou qual apartamento era. “5B”, talvez. Ou isso é um “D”? Mancha, café, tanto faz. Não importa. Ele vai descobrir.
Então, sim, ele tranca a porta atrás de si – este não é o tipo de bairro onde você não faz isso – se vira e anda pelo corredor.
Além do zumbido, há um som de gotejamento. Quero dizer, o lugar é antigo, o telhado provavelmente está destruído.
O corredor também é um pouco estranho. Por um ou dois segundos, parece mais longo que o prédio.
De qualquer forma. Ele chega à escada. Há um elevador próximo a ele, mas quem diabos vai andar nele quando o lugar estiver vazio? A coisa falha – o que poderia acontecer – e você pode acabar preso por dias.
A questão é que ele sobe. Primeiro andar. Segundo andar. Há uma placa em cada um.
Sim, então ele chega ao terceiro. Nenhum sinal. Não importa. Há muita coisa errada com o lugar – é provável que ele tenha caído, sido demolido, tanto faz. Mas na parede, ao lado do, bem – não direi limpo – pedaço de tinta onde estava a placa, há um recorte de jornal. A manchete diz algo como “Restos humanos encontrados em uma lixeira no centro da cidade”.
Sim, isso meio que o abalou. Nenhuma surpresa, certo? Quem iria querer palavras assim quando estão sozinhos? Então, sim, Lowman se vira e segue em frente.
Ele sobe mais dois lances. A placa diz “Andar 4”. Agora, eu não sou matemático, mas três mais dois – isso não é quatro. “OK?” ele pensa. — Crianças. As crianças devem ter bagunçado as placas. Isso, ou o zelador era, erm, você sabe, estúpido.
Independentemente disso, ele acende as luzes e desliga o corredor, mas as portas – elas dizem 4A, 4B, 4C e assim por diante.
Ok, talvez ele não tenha subido dois andares. A mente provavelmente divagou. Inferno, poderia ser um mecanismo de segurança neste lugar.
Ele volta para a escada e sobe novamente. Suas pernas também estão começando a doer um pouco. Claro, eu poderia dizer que ele era preguiçoso, mas eu também estaria preparado para subir quatro andares.
De qualquer forma, ele chega ao andar seguinte, mas não há sinal algum – apenas aquele recorte de jornal novamente. Sim, mesmo corte: “Restos humanos encontrados em uma lixeira no centro da cidade”. Sim. Dá-lhe arrepios. Me dá arrepios. Ele balança a cabeça – acho que não entendeu – e sai para o corredor.
Ele acende as luzes, mas elas estão meio que piscando neste andar. Há até uma corrente de ar assobiando pelo corredor. Demora um segundo, esperando as luzes, mas os números nas portas são 3A, 3B, 3C. Ele apenas ri, se pergunta o que está fazendo de errado.
Eventualmente, ele volta para as escadas e começa a subir novamente – silenciosamente confiante de que está ferrado de alguma forma. Não seria a primeira vez.
Bem. Ele chega ao próximo andar e se depara com uma placa que diz “Piso 6”. Ele olha para sua mão – a nota definitivamente diz “5”. Essa parte está clara. Ele balança a cabeça – em parte desespero, em parte descrença humorística. Esfrega as pernas – elas estão começando a doer muito agora. Verificações duplas – sim, a placa na frente definitivamente diz “Piso 6”. O garoto está confuso.
Então, ele desce as escadas – concentrando-se, certificando-se de não ultrapassar o limite distraidamente de alguma forma.
E sim, ele chega ao próximo andar e a placa diz “Andar 4”. Agora ele está começando a ficar bravo. Não entende nada. Ele olha de volta para as escadas, meio que ri – até pensa em ligar para seu chefe – antes de perceber como isso pode soar. Even olha para o elevador, pensa em pegá-lo, mas, novamente – o lugar está vazio e, se a coisa falhar, ele pode ficar em situação pior.
Então sim. Ele volta para a escada e sobe um lance de escadas. Pernas queimando. E mais uma vez, lá está: “Piso 6”. Desta vez ele vai até o corredor para verificar os números dos quartos. “6A”, “6B”. Cara, ele não consegue acreditar. Não consigo entender isso. Então ele volta para a escada. Apenas fico ali por um bom minuto ou mais.
Ele se recupera e olha para o corrimão. Começa a tentar contar os andares daqui até o chão. “1, 2, 3, 4” e algo o distrai – sua mente divaga. Ele começa de novo: “1, 2, 3”, e ouve-se um barulho enorme. Ele se vira e ouve o grasnar de um pássaro. Sim, deve haver algum problema com o telhado – há pássaros no prédio.
Ele olha de volta para o corredor, mas a placa “Andar 6” desapareceu. Tipo, foi embora. Simplesmente não existe mais. Ele aperta os olhos, esfrega os olhos. Aproxima-se, mas percebe outra coisa – logo à direita de onde deveria estar a placa. Hum. Sim, ele atravessa o patamar para ver melhor. É aquele recorte de jornal. O mesmo maldito. Ele não consegue entender isso. Apenas coça o pulso.
“Restos humanos encontrados em…” Ele para de ler. Pega o telefone – mas diminui a velocidade ao erguê-lo. Ele não pode explicar isso ao seu chefe. Inferno, ele não consegue nem explicar para si mesmo.
Ele sobe as escadas e desce novamente.
“Andar 4.” Não é brincadeira. Neste ponto, ele nem está chocado. Ele sai para o corredor e olha para o corredor. Claro, este é o quarto andar, mas as portas do apartamento dizem “3A”, “3B”, “3C”. “O que?!” ele pensa. “O que realmente está acontecendo?”
Ele salta de volta para a escada – quase desce o próximo lance, dando dois passos de cada vez. Mas a placa aqui embaixo diz “Andar 6”.
“Não pode ser. Não pode ser”, ele pensa.
Ele continua descendo as escadas, mas eles não parecem parar. Desce mais seis ou sete lances com facilidade, mas eles simplesmente não parecem chegar perto do solo. Neste ponto ele está sem fôlego, confuso, desesperado. Ele se inclina, segurando as pernas. Respira devagar. Lentamente olha para cima e vê novamente o mesmo recorte de jornal.
Nesse ponto, cara, ele suspira – cede. “Restos humanos encontrados em uma lixeira no centro da cidade.” O mesmo título familiar, mas desta vez ele se aprofunda e lê o artigo. Conta a história de um homem de vinte e poucos anos que foi encontrado dilacerado, membro por membro – braços, pernas, cabeça – embrulhado e ensacado, encontrado dentro de uma caçamba registrada para, espere, neste endereço exato.
O artigo prossegue dizendo que a polícia não tem testemunhas e ainda não identificou um suspeito.
Homem. Não sei. Não é o tipo de coisa que você quer ler depois da hora de dormir, quando está sozinho. De qualquer forma, ele continuou lendo.
Ele chega ao final da peça e nesse momento o nome da vítima é revelado. Bem, ele simplesmente congela – fica completamente imóvel.
Aí está impresso. O artigo está datado de um ano atrás, exatamente. E o nome da vítima?
Thomas Lowman.
Sim. Tomás. Homem baixo.
Então – é isso? O que aconteceu a seguir, você pergunta?
Bem, o cara está perplexo. Ele deixa cair o papel. Não é de propósito, mas suas mãos estão escorregadias, úmidas. A coisa simplesmente desliza para fora como se quisesse cair no chão.
Ele olha para ele por um tempo. Não pisca. Então ele meio que ri – tenta de qualquer maneira – apenas um pequeno latido que não leva a lugar nenhum.
Ele está dizendo a si mesmo: “Não. Não, não, não, não, não. Deve ser uma piada. Algum tipo de erro de digitação. Outra pessoa. Certo?”
Mas essa risada, cara, não tem oxigênio.
Sim, ele olha em volta – nada além de ar parado e sombras. Cada zumbido, cada rangido dos canos parece que agora está direcionado a ele.
Ele se agacha, pega o recorte de volta e, sim, ainda diz o nome dele. Ainda aquela data. Ainda esse endereço.
E é aí que tudo começa.
Essa coisa rastejante na parte de trás de seu crânio, sussurrando que talvez ele já esteja morto. Que talvez isso – as escadas, o corredor, o cheiro de tinta úmida e vidros quebrados – seja apenas a parte final.
Ele cambaleia de volta para os degraus, resmungando de novo, a mesma coisa sobre a vizinhança, o trabalho, seu chefe — tudo o que, você sabe, está pressionando ele.
Suas pernas estão gelatinosas agora, o peito apertado. Ele desce o primeiro degrau e é como se todo o prédio exalasse.
Algo chacoalha bem lá embaixo. Ou acima. Difícil dizer.
“Tudo bem”, ele diz, se animando, “um andar de cada vez. Um andar de cada vez.”
Mão no corrimão, pernas em movimento, ele segue em frente. O primeiro voo está bom, mas as luzes… cara, as luzes da escada começam a piscar. Há esse zumbido também. Ele se vira, o pé escorrega – fica preso na beirada de um degrau escorregadio de chuva ou podridão – e cai com força.
Rachaduras feias no tornozelo. Som oco – o tipo que faz você ver estrelas. Ele grita, um som agudo engolido pelo lugar.
Ele tenta ficar de pé, mas seu tornozelo não aguenta. Ele se arrasta pela parede, respirando rápido, aquele zumbido agora gritando pelos canos.
Não consegue tirar aquele recorte da cabeça — não consegue parar de pensar nisso. Começa a se perguntar todas essas perguntas. Deitado, apenas olhando para o vazio.
Ele ri de novo – não parece uma risada desta vez. Nem um pouco. Desisti no meio.
Eventualmente, ele apenas fica ali sentado, com a perna dobrada para o lado errado, olhando para o concreto, sussurrando seu próprio nome como – não sei – como se estivesse verificando se ainda cabe.
E então tudo desaparece. As luzes, o zumbido, tudo. Silencioso como se alguém tivesse desligado a tomada.
A manhã chega lenta, cinzenta através das vidraças quebradas. Policiais na frente, alguns paramédicos empurrando a porta.
Jon disse que o encontraram no terceiro andar, semiconsciente, com o tornozelo inchado e o rosto cortado como se tivesse dado três voltas na escada.
Não fez muito sentido quando perguntaram o que aconteceu. Fiquei falando sobre pisos sendo movidos e homens mortos andando pelos corredores.
Boss apareceu mais tarde – todo preocupado. Disse à polícia que tinha acabado de pedir ao garoto para tirar algumas fotos, mas não tinha ideia de como tudo ficou tão confuso.
Não mencionou a pegadinha – os cartazes que eles trocaram, o recorte impresso na internet, foi apenas um pequeno susto.
Sim. Foi uma ‘brincadeira’.
Acho que essa parte não apareceu.
Lowman já saiu do hospital, meio que reservado. Não fala muito sobre aquela noite. Ainda manca, no entanto.
Jon diz que largou o emprego pouco depois. Fui para o norte do estado. Turnos de armazém agora – trabalho silencioso, sem ligações tardias.
De qualquer forma. Aquele prédio – aquele perto do rio.
Digamos que você possa ouvir passos nas escadas se passar depois de escurecer.
Podem ser crianças. Pode ser o vento.
Poderia ser o eco de algum pobre coitado tentando escapar de uma vida que nunca o deixou tocar o teto.
Crédito: Remy Seltzer
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