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“Os pinguins estão chegando.” Um velho se balança na cadeira e dá uma tragada no cigarro.
“O que?”
“Os pinguins estão chegando”, repete o velho.
“Que pinguins? Vivemos no Missouri.” O outro cavalheiro, Gerald, encolhe os ombros enquanto se apoia em uma viga de sustentação da varanda. “Os pinguins vão estar no zoológico?”
“Não é o zoológico, seu idiota.” Fred para de balançar e lentamente se levanta da cadeira. “Não há zoológico que possa abrigar esses pinguins.” Ele está pensativo enquanto olha para o campo de grama alta.
“Fred, você precisa parar de falar em enigmas.” Gerald massageia as têmporas. “Estamos velhos demais para essa merda.”
Fred larga o cigarro e o apaga. “Vou precisar da minha arma.” Ele se vira e entra na casa.
“Pelo amor de Deus, Fred. Você não precisa da sua arma.” Gerald dá uma longa tragada no cigarro e exala. “Eu provavelmente deveria acalmar aquele velho idiota.” Ele deixa cair a guimba no chão e pisa nela. Então ele ouve um barulho fraco ao longe. Fica mais alto. Gerald se vira e olha para o campo. Ele vê farfalhar na grama. “Que porra é esse barulho?”
Gakking.
Gerald dá um passo em direção à grama alta e então um pinguim aparece. Está apenas parado ali, olhando para ele.
“Bem, que tal isso, um maldito pinguim.” Ele dá alguns passos em direção a ele e então para. “Só você está fazendo todo esse barulho, amiguinho? De onde diabos você veio?”
Gerald se vira para a casa e depois volta para o pinguim. “Não sei por que Fred estava com tanto medo de você.” Ele estende a mão e o bico do pinguim se abre em quatro direções, com dentes afiados revestindo o interior.
“Santo Padre de Cristo.” Com os olhos arregalados como pires, Gerald tropeça para trás e cai de bunda no chão. O pinguim cambaleia ferozmente em sua direção, saliva escorrendo do bico. Gerald sobe os degraus da varanda enquanto Fred abre a porta com um chute, a espingarda na mão. Ele olha para o cano e atira.
“Acenda uma fogueira embaixo da sua bunda e mexa-se! Os pinguins estão aqui!”
Dezenas de pinguins invadem a grama enquanto Fred e Gerald encontram refúgio dentro de sua casa. Fred bate a porta, bloqueando-a com uma grande tábua de madeira.
“Ajude-me a mover esta cômoda.” Fred larga a arma e vai até uma cômoda de carvalho.
“Que porra está acontecendo?!”
“Gerald, são os malditos pinguins. Você não ouviu uma palavra do que eu disse?”
“Você repetir isso não faz sentido! Droga, Fred!”
Fred grunhe. “Apenas me ajude com essa porra de cômoda.”
Gerald se aproxima e eles empurram a cômoda na frente da porta.
“Que barulho é esse que eles estão fazendo?” Gerald se senta na escada.
“Pinguins, cara, Gerald, você não sabe nada sobre pinguins?”
Gerald fica ali sentado, olhando para Fred, que aguarda ansiosamente uma resposta. “Fred, moramos na porra do Missouri. Por que diabos eu saberia alguma coisa sobre a porra dos pinguins?”
“Bem, o ovo está na sua cara agora, não é?”
Gerald o ignora enquanto a gargalhada incessante fica mais alta. “Tem balas suficientes para tantos pinguins?”
Fred pega sua espingarda e dispara. “Vamos descobrir.”
–
Um pinguim bate pela janela e desliza pelo chão diretamente em direção a Fred. Ele aponta a espingarda e atira novamente. Ele bombeia. “Cubra minha bunda enquanto eu recarrego esse filho da puta!”
Outro pinguim entra na sala. Gerald agarra um cabideiro próximo e dá uma tacada desagradável no golfe. “Você não aceitaria outro desses, não é?” Gerald aponta para a espingarda enquanto segura o cabideiro ensanguentado nas mãos.
“Outro o quê?” Fred grita enquanto volta para a cozinha.
“Uma arma, Fred. Outra maldita arma.” Gerald o segue.
“Aquela árvore de casaco não é suficiente?” Fred olha para ele incrédulo.
“Acho que uma arma seria mais útil.”
“Você já disparou um antes?”
“Vá se foder, Fred. Você sabe que sim.”
Fred revira os olhos. Ele vai até o balcão e abre uma gaveta. Ele enfia a mão e tira uma pistola que estava colada no topo. Ele o joga na direção de Gerald, que deixa cair freneticamente o cabide, com um baque surdo, para agarrá-lo.
“Meu Deus, Fred, não jogue armas carregadas.”
“A segurança está ligada.” Fred afasta uma cortina e olha para fora. “Mãe de Deus.”
“O que?” Gerald vai até a janela da cozinha. “Você tem balas suficientes para isso, certo?”
Fred olha para sua arma e depois para os vários pinguins que cercam sua casa, todos boquiabertos como maníacos.
Fred segura a espingarda logo abaixo do queixo. Gerald pega o cano e aponta para longe. “Droga, Fred. Agora não é hora para suas piadas sobre suicídio.”
“Quem está brincando?” Fred encara Gerald com uma seriedade fria nos olhos. “Você acha que tenho balas suficientes para tudo isso? Porra, não. Estou preparado, mas não estou preparado para travar uma maldita guerra contra tantos malditos pinguins.”
“Sempre pensei que você sairia lutando.” Gerald solta o cano e balança a cabeça. Ele respira fundo. “Eu vou.”
Fred olha para a espingarda novamente e zomba. “Tudo bem. Mas se essas coisas começarem a me destruir, é melhor você colocar uma bala na minha cabeça.”
O inconfundível tamborilar dos pinguins bamboleantes enche a casa. Gerald se vira e começa a atirar. Encontrando sua marca, pois preto, branco e vermelho colorem o chão.
“Venha e me traga seus pedaços de merda que não voam!” Fred grita enquanto avança, atacando os pinguins que invadem seu território.
O vidro se estilhaça novamente quando um pinguim voa pela janela da cozinha. Ele colide com as costas de Fred enquanto os dois caem no chão. Fred se vira, saca sua espingarda e abre um buraco no rosto do pinguim. “Boa tentativa, filhos da puta.”
“Fred”, um tom desesperado acompanha as palavras de Gerald. “Estou sem balas.”
“O que?” Fred se senta e, ao fazê-lo, sua pele se arrepia ao sentir uma presença inconfundivelmente ameaçadora. Ele lentamente se vira para ver um pinguim parado bem na sua frente. Fred bombeia a arma, aponta para o pinguim e puxa o gatilho. “Oh, caramba, Gerald. Eu também.”
O bico do pinguim abre de quatro maneiras. Dentes revestindo o interior. Ele engasga mais uma vez, empurra a espingarda com a nadadeira e avança, agarrando a cabeça de Fred e lentamente fechando o bico até que o bico esteja completamente fechado.
“Oh, merda. Oh, merda. Oh, merda.” O suor escorre pela testa de Gerald enquanto ele vasculha a cozinha em busca de alguma coisa. Ele encontra uma grande faca de chef e se vira no momento em que mais dois pinguins entram na cozinha.
“Foda-se.” Gerald corta a própria garganta e desliza para o chão da cozinha. Ele agarra o pescoço enquanto o sangue escorre dele. Os pinguins se aproximam. Gerald balbucia alguma coisa, sem dúvida percebendo o erro que cometeu.
Os pinguins se aproximam.
Os pinguins abrem os bicos.
Os pinguins estão aqui.
Crédito: Harlow Thorne
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